Há três anos o mundo parou por três segundos quando te vi.
Por um ano inteiro me torturei, negando o que senti.
Tentei me afogar em outras águas pra esquecer as suas,
mas do seu mar só cheguei ao fundo —
não aprendi a nadar, só afundei.
Hoje escolho o silêncio e a distância.
Me machuquei cada vez que tentei chegar perto,
mas mesmo longe, nesse tormento diário,
não aprendi a te desamar.
Ainda me perco no nó dos seus cabelos cacheados,
no seu jeito meio desajeitado de caminhar,
naquela risada estranha que me arrancava o melhor sorriso
e no seu abraço, que por tanto tempo foi minha casa.
Sinto falta do tom da sua voz e do seu cheiro,
um perfume que me lembrava o aconchego de um refúgio antigo,
uma memória quente que ainda me faz respirar nos dias frios.
Te desejei e te amei como se você fosse de outro mundo,
um ser elevado que cruzou meu caminho.
Mas de tanto me ferir nessa tempestade,
tranquei o que sinto no silêncio mais profundo.
Espero que um dia isso te alcance, Fernanda, para que assim você veja o que eu sempre quis te dizer.