Sobrevivendo a todos os amanhãs
Sei que acordarei pensando nela
O rosado, do seu rosto, as maçãs
No céu, enquanto bebo o café olhando pela janela
E não estou triste
Sequer melancólico
Com a cabeça em riste
Do teu amor sou alcoólico
Orgulhoso de amar
Sem medo de o dizer
Subo ao cimo da montanha
Atravesso o mar
Só para talvez um dia te ter
Serei louco?
Talvez sim, talvez não
Não se trata de esperar muito ou pouco
Mas sim de ouvir o coração
Qual poeta não é louco
Demente na solidão
Por favor não faças pouco
Deste pobre coração
Que ouve os pássaros cantar
Que ouve toque do saxofone
Não se cansa de esperar
Um toque no telefone
Mas o poeta também segue só
Como a pedra do moinho
Que jamais toca a mó
E a trata com carinho
Produz o trigo, que com água e calor
Faz o pão que alimenta
Como o olhar do meu amor
Ao mesmo tempo que sustenta
Aumenta o meu pudor
Quero estar ao teu lado
Queria conseguir
Olhar e seguir calado
Seguir
Procuro o teu ósculo pela manhã
Néctar dos deuses do Olimpo
Sentir a tua manha
Respirar o teu ar limpo
Nos dia de chuva
Mesmo que com dor
Ao sentir o petricor
Relembro de encaixarmos como uma luva
Observo o teu movimento
Em memórias ,muito minhas
Mesmo sem quereres, das-me alento
Sigo todas as tuas linhas
Desenhadas pelo teu corpo
Marcadas em minhas mãos
Levam meu barco a bom porto
Acalmam a solidão
Acalmam a tempestade constante
No caminho de te encontrar
A procura incessante
Apenas pelo teu olhar
E quando cruzam os olhares
Entras em meu cérebro com certezas
Que mesmo sem procurares
Me tiras as avarezas
Apenas para melhorares
Um pobre poeta soliloquio
Solitário, cheio de amares
Que evita um circunloquio
Segues plena e bela
Fácil de admirar
Para muitos uma Cinderela
Para mim um patamar
Um lugar a atingir
Uma mulher para somar
Sabes que não sou de fingir
Farei deste amor um altar