Por dentro sou um espaço,
às vezes preenchido,
às vezes eco.
Espaço de muitos sentimentos,
como um quarto
onde se anseia organizar,
mas tudo volta a se espalhar.
Então paro.
Há coisas que não sei nomear,
sentimentos que não reconheço,
memórias que não sei onde guardar.
Me sento em meio a esse profundo lugar,
começo a querer
chorar,
gritar,
extravasar,
mas nada disso consigo expressar.
Então paro.
Há dias em que esse espaço
se torna abafado,
onde até o vazio dói,
onde nada parece caber,
nem eu.
Como se algo em mim diminuísse.
Então paro.
Um espaço cheio...
e, ainda assim,
vazio de mim.
— Avylla