A vida é uma mentira bem organizada.
Inventamos dinheiro
para fingir que alguém vale mais.
Inventamos títulos,
cargos, sobrenomes,
deuses particulares,
muros altos
e roupas caras.
Chamamos isso de sucesso.
Mas é só medo
com uma boa embalagem
Debaixo da pele
o milionário é tão frágil
quanto o homem que dorme na calçada.
Ambos têm sangue.
Ambos sentem dor.
Ambos carregam um esqueleto
que ninguém vê
porque preferimos acreditar
que somos feitos de algo maior.
Não somos.
Somos carne tentando convencer
a si mesma
de que não vai apodrecer.
A morte não respeita currículo.
Não se curva diante do dinheiro.
Não se impressiona com o poder.
Ela entra pela mesma porta
onde um dia entrou o nascimento
e leva tudo sem dar recibo.
No fim,
o homem que passou a vida
comprando o mundo
Não consegue comprar
mais cinco minutos.
O rei perde a coroa.
O pobre perde a fome.
O arrogante perde o nome.
O bonito perde o rosto.
O forte perde os músculos.
E todos terminam
com a mesma assinatura:
ossos.
É engraçado.
Passamos a vida inteira
tentando ficar acima dos outros
para descobrir, no final,
que a terra não tem segundo andar.
Ninguém sobe.
Ninguém escapa.
Ninguém leva nada.
E talvez o maior fracasso do homem
seja esse:
morrer acreditando
que era diferente.
Quando, por baixo da pele,
sempre foi apenas
mais um animal assustado
esperando a noite chegar.
Por Freddie Seixas