Ao finalmente encontrar-me novamente, de forma íntegra, com minha lucidez — em uma nova oportunidade de reflexão — senti-me tão pouco feliz quanto certo de um caminho a seguir. Ao olhar ao redor do meu pálido e friolento semblante, percebi claramente o profundo desespero em meus oponentes, que, no ressoar de seus nobres e belos narcisos — cravados como resplandecentes flores em seus peitos — sentiam-se certos de uma vitória diante de um destino tão incerto.
Ao intercalar este cenário em minha psique, já perdida há tempo, suspiro e sigo com esta armadura ensanguentada e cortada por fragmentos de almas que pensariam em prejudicar meu ser com tamanha ferocidade quanto à tentação dos sete pecados. Neste caminhar entre diversos cadáveres dilacerados, nesta névoa marcada de sangue, encontrei — ah, finalmente encontrei — um herói de armadura reluzente que faria até o vilão mais vil ajoelhar-se diante de sua moral inabalável. Ao me aproximar, percebi dois cavaleiros ao seu lado, tão sedentos pela chacina nos belos campos de rosas brancas; ao sentirem minha presença sinistra, os dois avançaram contra mim sem sequer pensar em seu derradeiro fim à frente de um homem tão vil e macabro.
Ao terminar essa dança, enchi-me de euforia ao pensar que, depois de muitas batalhas e guerras travadas, poderia realmente existir alguém capaz de fazer com que eu elevasse a minha alma ao extremo da minha essência. Em contraste com essa cena, o bravo herói avançou de forma sublime contra este espectro — numa dança de sabres que jamais teria concebido em minha eterna vida — e, aos poucos, começou a encher-se de ferimentos como se perdesse o controle da sintonia de golpes, até que, sem perceber, no meu ciclo de euforia, fiz com que se acabasse dilacerando esse valente cavaleiro membro a membro, consumindo-o cada vez mais em total desespero e profundo medo — seu olhar tão azul quanto o céu resplandecente.
No último ato, com um sorriso perverso e triste pelo fim do embate, convidei-o a travarmos nosso último golpe, para enfim encontrarmos o esperado desfecho. Em meio a isso, o homem audaz perguntou, de forma agressiva: por que uma alma que já fora tão pura quanto o anjo mais iluminado havia caído nesse mar de profunda agonia, às negras vistas de suas asas, aos olhos de seus fiéis? Num pequeno deslumbre do passado, relembrando memórias marcadas por uma constante linha entre desilusão e quebra de confiança na humanidade, tomei uma decisão — decisão que me fez proteger o que restara de um pequeno garoto, num tempo tão amargurado; ainda assim, enlouquecido pelo tamanho do conhecimento sobre as atrocidades que este mundo já cometeu e comete contra cada pequena alma pura, como outrora acontecera com a sua.
Após essa breve conversa, trocamos nosso último ataque e, por fim, separei sua cabeça do pescoço — mais um de meus desafortunados antagonistas, que jamais esperara tamanho amargor em seu derradeiro fim.