Ricardo CUNHA

À REVOLUÇÃO - TRÍPTICO

À REVOLUÇÃO - TRÍPTICO

LIBERDADE 

Face de mulher negra americana,
Onde há marcas da vil escravidão,
Seja égide a s\'erguer contra a opressão 
Em vista d’uma terra soberana. 

Com ramos de café, feixes de cana,
Se ilustre a tropical conspiração. 
Que do súbdito se faça o cidadão
Inundado de luz republicana.

Mas não celebrem tal independência,
Por não haver progresso nem ciência,
Enquanto entre riquezas tanta fome.

E mais do que fazer o que quiser,
Ser livre seja elevar todo o poder
Em liberdade digna d\'este nome.
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IGUALDADE 

Não por ser homem, sim por ser humano,
Que anseio ser igual, nunca melhor.
Em regra, do menor para o maior,
Buscam nos ordenar n\'um amplo plano. 

Desde que o mundo é mundo, salvo engano,
Dão a este – e não àquele – mais valor.
Por fim, quem se acredita superior
Não raro tem causado maior dano…

O macho adulto branco no comando
Espera distinguir-se, quando em quando,
Tendo-se ora mais forte; ora mais rico.

E eu, que não me sei branco ou mesmo macho,
Na velha ordem do mundo não m’encaixo,
Tão simples quanto os versos que fabrico.
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FRATERNIDADE

Àqueles que s’entendem como “nós”,
Compartilhando origens ou memórias,
Conclamo a relustrar antigas glórias,
Fazendo-as ressoar n’uma só voz:

Cantemos na esperança mais feroz
Causas identitárias meritórias,
Em lugar de grandezas ilusórias,
Que tornem a Nação infame algoz.

Em marcha contra insana tirania,
Irmanemo-nos em torno da utopia
De ser um lar comum o nosso chão.

E que o estandarte erguido a nos guiar
Aos filhos d\'esta terra possa honrar,
Por símbolo de paz e de união.

Belo Horizonte - 20 08 2026