Dissocio como forma de escapismo
Vivo por tal realismo
Saudades do romantismo
Forçado a viver o niilismo
Mas então penso logo sofro
E repenso logo morro
Mas também penso
Logo corro
E repenso logo paro
Me encaro
O espelho machuca
Então penso logo dúvido
Repenso logo tenho certeza
A flecha é de veneza
Penso logo a flecha me atinge
Repenso logo sofro novamente
Penso logo grito
Repenso logo entro em atrito
Tento sentir logo pinto
Um quadro caótico
Ele me faz pensar tanto
Quanto
A existência dolorida
Penso logo surto
Repenso logo me encurto
Nesse Diálogo sem sentido
Que me deixa perdido
Penso logo me perco
Repenso logo finjo me encontrar
Penso logo meu cérebro vai me matar
Eu deveria existir?
Eu deveria resistir?
Penso logo sou um borrão
Repenso logo quase sumo
Em resumo
Existo ao meio
Penso logo a dor corta
Repenso logo em desespero abro a porta
Eu e meus pensamentos
Não dá certo
Penso logo fico perto
Repenso logo me jogo
Então penso logo lembro
A memória vem logo
Sofro pois essas inexistências
Criam existências
E me fazem sofrer
Querer correr
Não me reparo há anos
E os anjos viram meu rosto branco
Ele não existe
Ele persiste?
Os anjos me entregam um pincel
Não precisei do papel
Pois não serei cruel com meu rosto
Em cores eu fui posto
Então penso e se começa a se integrar
Começa a mudar
Começa a se encontrar
Começa a se fazer melódico
Em um pensamento lúcido
Olhando ao véu azul
Ó belo céu
Minha consciência
E existência se integram
Mesmo existindo com falhas
Tenho minha força mística
Esperança
Me entrega a minha lança
Para se gerar a própria força
Penso logo existo
Mas melhoro em Diálogo forte
Lutarei contra essa morte
Porque eu
Existo e não existo
Mas penso logo resisto.