Vilma Oliveira

O CULTIVO DO INFINITO

Meditar é como um jardim regar,
Não é conquista que se colhe num dia.
É preciso paciência e disciplina ter,
Até que a paz floresça em poesia.
É cultivar no peito, com todo o amor,
A eternidade viva, que afasta a dor.

Quando o silêncio faz calar o ego,
A grandeza da vida enfim se revela.
O ego quer controle e vive cego,
Mas a entrega torna a alma mais bela.
Na quietude mansa, sem nada provar,
A mística voz de Deus podemos escutar.

O tempo, então, deixa de ser inimigo,
Passa a ser mestre, aliado constante.
Cada segundo é um sagrado abrigo,
Que nos devolve ao centro num instante.
E nessa pausa onde as horas somem,
O eterno abraça o finito do homem.

Jornada de autoconhecimento e fé,
Onde o respirar ganha nova luz.
Silenciar com a humildade que há,
Sentir a plenitude que nos conduz.
Pois Deus habita em nós, num elo divino,
E nós habitamos Nele, no mesmo destino.