Um dia somos tão novos,
tão inocentes,
achando que o primeiro encontro
é também o último destino.
Como nos contos clássicos,
acreditamos que basta encontrar alguém
para que todas as fantasias
finalmente encontrem morada.
E seria irônico dizer
que isso nunca acontece.
Alguns encontram no primeiro,
outros no segundo,
há quem precise do terceiro…
e existem aqueles
que continuam procurando.
Alguns fazem uma pausa.
Respiram.
Fecham a porta por um instante
e deixam o coração em silêncio.
Porque o tempo,
esse sujeito estranho,
às vezes parece inimigo:
faz esperar,
adiar,
desaprender,
recomeçar.
Mas talvez ele só esteja
fazendo seu trabalho.
Enquanto os ponteiros caminham,
a gente amadurece.
O que antes parecia indispensável
vira apenas uma lembrança.
O que parecia fim
ganha cara de começo.
E, entre horas, minutos e segundos,
aprendemos que amar
também é aprender a enxergar.
Talvez nada seja por acaso.
Talvez algumas pessoas sejam encontro,
outras sejam passagem,
e algumas sejam apenas
uma parte necessária da nossa história.
No fim,
o tempo não demora.
Ele prepara.
Porque há coisas que a vida
não entrega quando queremos,
mas quando finalmente
estamos prontos para recebê-las.
O tempo não é inimigo.
Ele é estratégico.