A máquina humana sente
Mil sinais com seus sensores,
Deixando um milhão latente,
Nos mais diversos setores.
Achará ela a serpente
Encoberta pelas flores?
Pois… é que as flores são belas!
Eu cá meto o foco nelas…
Se um jardineiro houver
Que floreie, com vil ardil,
Um canteiro de malmequer
Ocultando algum covil,
Passarei, se assim me der,
Num calor primaveril,
Com contemplações singelas
E sem mínimas cautelas.
Também qualquer arquiteto
Pranta flores de papel
Onde quiser que o projeto
Seja sujo ou infiel.
Posto isto, agora noto
O que o olho me escondeu:
Desde a peça, a gente, o voto,
Às matérias do liceu.
Por me tirarem da vista
O que de secreto exista,
Chamo-lhes flores-de-kelly.
Escondem mesmo a própria rima,
Impedindo que me exprima
Com termos que eu nunca li.