Novamente em pedaços.
Mais uma vez,
me vejo juntando o que restou de mim,
catando caco por caco
como quem procura, entre os destroços,
alguma parte que ainda reconheça.
Tem sempre alguma coisa faltando.
Um pedaço que se perdeu pelo caminho,
uma parte de mim
que já não sei onde procurar.
E, vez ou outra,
me pego pensando:
será que um dia
eu vou aprender a não deixar
que me quebrem tão facilmente?
Ou será que vou continuar
me reconstruindo em silêncio,
remendando as partes que consigo,
enquanto, sem perceber,
vou deixando algumas de mim
pelo caminho?
Talvez esse seja o meu maior medo:
me reconstruir tantas vezes
que, no fim,
eu já não saiba
qual dessas versões
ainda sou eu.