Gabrielmaria

Alma calculada em uma escassa folha prateada

Alma calculada em uma escassa folha prateada

 

Uma literatura visível e garranchosa, um livro aberto em suas primeiras páginas

Uma menina com uma visão ocular, melodramática 

Dramática e sensível por natureza, invencível 

Invencível por questionar, e palpitar com seu jeito e falar.

 

Biblioteca grandiosa com seus diversos e inventivos livros, contos, fábulas e estátuas 

Uma forma desdenhosa e ardilosa em seu montar

Quando hão de visitar, hão de questionar, duvidar

Uma arquitetura antiga e visionária 

Brilhante, lunática.

 

Uma garota? Apenas uma garota... 

Hei-me de desvirar o olhar, o falar e o andar 

Interrogações ficam por brotar. 

 

Um garoto? Apenas um garoto...

Hei-me de cantar, jeito de travesso, brincar e jogar

Interrogações ficam por espreitar. 

 

Voltas e voltas ficam por dar, uma bola a rodar em um altar 

Giradas e movimentadas por um passar, um amar

Um vestido a rodar

Uma capa a girar

Uma vontade a colocar. 

 

Venha-te e conte-me tudo, assim que virar àquele primeiro ou terceiro setor 

Àquele primeiro ou quarto amor que desdenhou ou por si só recuou

O medo de maneira ligeira e contundente brotou e não ficou, somente aproveitou 

 

O tempo esvaiu-se, escapou-lhe às mãos vazias, albinas

O nevoeiro chegou junto a uma brisa fria e solitária, instalada e observada por uma grande ceifada

Uma pele gelada, fria, molhada. Sinônimos incapazes de expressar o resfriamento contínuo e progressivo. 

 

Àquela garota, apenas digo, coloca-te teu melhor capuz 

Àquele garoto, apenas repito, coloca-te tua melhor capa 

E viva-te àquela tão costumeira ensaiada virada, vidrada. 

 

Um olhar congelante é o bastante para tornar-se grande o suficiente 

Um vislumbre, grande demais para tornar-se notório

Porém uma matemática exata demais para tornar-se apenas um cálculo ilusório e episódico. 

 

Autoria: GabrielMaria