Alma calculada em uma escassa folha prateada
Uma literatura visível e garranchosa, um livro aberto em suas primeiras páginas
Uma menina com uma visão ocular, melodramática
Dramática e sensível por natureza, invencível
Invencível por questionar, e palpitar com seu jeito e falar.
Biblioteca grandiosa com seus diversos e inventivos livros, contos, fábulas e estátuas
Uma forma desdenhosa e ardilosa em seu montar
Quando hão de visitar, hão de questionar, duvidar
Uma arquitetura antiga e visionária
Brilhante, lunática.
Uma garota? Apenas uma garota...
Hei-me de desvirar o olhar, o falar e o andar
Interrogações ficam por brotar.
Um garoto? Apenas um garoto...
Hei-me de cantar, jeito de travesso, brincar e jogar
Interrogações ficam por espreitar.
Voltas e voltas ficam por dar, uma bola a rodar em um altar
Giradas e movimentadas por um passar, um amar
Um vestido a rodar
Uma capa a girar
Uma vontade a colocar.
Venha-te e conte-me tudo, assim que virar àquele primeiro ou terceiro setor
Àquele primeiro ou quarto amor que desdenhou ou por si só recuou
O medo de maneira ligeira e contundente brotou e não ficou, somente aproveitou
O tempo esvaiu-se, escapou-lhe às mãos vazias, albinas
O nevoeiro chegou junto a uma brisa fria e solitária, instalada e observada por uma grande ceifada
Uma pele gelada, fria, molhada. Sinônimos incapazes de expressar o resfriamento contínuo e progressivo.
Àquela garota, apenas digo, coloca-te teu melhor capuz
Àquele garoto, apenas repito, coloca-te tua melhor capa
E viva-te àquela tão costumeira ensaiada virada, vidrada.
Um olhar congelante é o bastante para tornar-se grande o suficiente
Um vislumbre, grande demais para tornar-se notório
Porém uma matemática exata demais para tornar-se apenas um cálculo ilusório e episódico.
Autoria: GabrielMaria