Carlison

A arte é meu caminho

Pego o lápis e o mundo se aquieta devagar,

o barulho de fora começa a se afastar,

cada traço é um passo, cada linha um pensamento,

não é só desenhar — é dar voz ao momento.

 

O papel é o espaço onde o caos se organiza,

onde a mente viaja, livre e sem conduta;

risco suave, firme, curva ou reta e clara,

cada pedacinho de mim ali se declara.

 

Desenho montanhas que respiram calma,

rios que levam o peso da alma,

nuvens lentas, sol que nasce devagar —

e percebo: viver é também saber olhar.

 

Pois arte não é só coisa bonita a ver,

é uma forma de saber compreender:

que tudo existe ligado, num só fio,

que o pequeno é grande, o simples é rio.

 

Há uma paz que vem quando a mão segue o coração,

sem pressa de acabar, sem medo ou confusão;

não preciso de respostas prontas nem verdades duras,

apenas sentir o agora — sem pressas nem curas.

 

Aprendo que cada erro é também criação,

linha torta que vira nova direção;

assim é a vida: um esboço constante,

corrigindo, criando, seguindo avante.

 

“Conhece?te a ti mesmo”, diziam os antigos sábios,

encontrar o equilíbrio entre ventos e cálibes —

o desenho mostra: tudo tem seu lugar,

o claro e o escuro precisam se completar.

 

O traço nasce leve, ganha corpo e cor,

igual ao nosso sonho que cresce ao redor;

nada aparece de repente, sem raiz,

tudo se constrói devagar, feliz.

 

Quando termino, respiro fundo, sossegado —

não fui a lugar nenhum, mas voltei renovado;

porque arte é paz, é filosofia quieta:

ser fiel a si mesmo, na busca eterna e certa.

 

Não existe “perfeito”, existe o que é teu,

cada linha conta quem você é e o que viveu;

desenhar é viver com os olhos bem abertos,

encontrar o universo em espaços desertos.

 

Assim vou seguindo: lápis, mente e coração,

criando meu mundo, minha própria lição —

que a maior sabedoria, ao fim de tudo, é:

encontrar a paz dentro de si, e deixar ela aparecer 

 

De:Carlison.c.b