As marcas do passado não se apagam,
Aprendem apenas a silenciar,
Como cicatrizes sob a pele
O que o tempo tenta disfarçar.
Já amei com mãos inteiras,
Sem medo de me despedaçar,
Mas o amor, quando vai embora,
Leva partes que não vão voltar.
Ficaram restos de promessas
Espalhados pelo chão da memória,
Retratos tortos de um nós
Que virou poeira na história.
Teu nome ainda ecoa baixo
Nos cantos onde evito olhar,
Como um verso mal resolvido
Que insiste em se recitar.
E eu sigo, entre ruínas e ausências,
Tentando de novo existir,
Carregando amores perdidos
Que nunca souberam partir.