Hoje escrevo livre
Como um pardal recém solto
E se o bom filho, a casa retona
Isso não sou nem um pouco
Não que eu tenha um bom motivo
Para voltar ao ninho
Ninho pra mim é poesia
Papel e caneta, como taças de vinho
E na longa estrada da vida,
(Que eu chamo de caminho)
Serei apenas mais um
Se eu retornar ao ninho
Mas se o vento mudar meu rumo
E eu me perder pelo céu
De quê irá valer, ter asas
Se ninguém ler meu papel
Se meus versos forem folhas
Que o vento leva embora
E as músicas, pássaros presos,
Que ninguém escuta lá fora
Se minhas risadas virarem chuva
Caindo por todo o caminho
E ninguém guardar uma gota
Do que um dia foi meu vinho
Então, na longa estrada da vida,
Entre o que fui, e o que definho,
Serei apenas mais um
Se eu retornar ao ninho