HMT

Veias

No escuro mundo, que eu vivia

Vi coragem se esvair

Virar poesia

Contava as estrelas

Que o céu não tinha

E a noite inteira, nunca via o dia

No enigma da penumbra

Olhava os olhos do mundo

Dor, que vislumbra

O nada que já foi tudo

A música do surdo

Que canta o mudo

E os olhos do cego

Para guiar nosso rumo

Caminho de pedras

Lua, cansada deveras

E numa simples onomatopeia

Meu coração, seu latejo

Presos, vermelhos, anseiam

Um último batimento

A lua estilhaça em mil pedaços

A luz invade o grande espaço

Cegando todos, que não estavam acostumados

A ver vitória, num lugar devastado

-HMT