Penumbra dos Ecos Inaudíveis
A penumbra desce como um véu de névoa tênue,
onde a luz não chega — apenas se desfaz,
num limiar sagrado, entre o fim e o começo,
onde o mundo cala e o tempo se desfaz.
Memórias não são mais lembranças comuns,
são sombras tangíveis, frias, sem endereço,
presas no passado como raízes antigas,
que não se arrancam, nem com todo o meu esforço.
Presas no passado — não por escolha minha,
mas porque lá guardo o que o presente apagou,
palavras que morreram antes de serem ditas,
histórias que o destino jamais completou.
O que não pode ser ouvido não é silêncio,
é uma linguagem que transcende o som,
é o grito mudo que ressoa nos ossos,
é a verdade que habita pra além do tom.
Escuridão aqui não é ausência de luz,
é um espaço denso, cheio de existência,
onde cada fantasma tem sua voz sem som,
e cada instante volta, sem pedir licença.
Caminho entre as sombras, toco o que não existe,
sinto o peso do que nunca se concretizou,
a penumbra me abraça, fria e compassiva,
enquanto o passado, em mim, se eternizou.
Não há ouvido que capte essa melancolia,
não há som que traduza o que a alma sente,
o que não pode ser ouvido é mais real,
é a essência crua, viva e persistente.
E quando a noite se fecha por completo,
e a penumbra vira manto sem fim,
sei que o que ficou preso, o que não foi dito,
não morreu — apenas vive mais fundo em mim.
De:Carlison.c.b