Fábio Alves Leão

NÃO PRECISO QUE ME AME

Não preciso que me ame,
Aprendi a caminhar sem tuas mãos.
Há um silêncio que me veste
Melhor que antigas ilusões.

 

A casa ecoa meus passos lentos,
Como se o tempo desistisse de mim,
E cada lembrança que ainda resiste,
É só um fantasma pedindo um fim.

 

Não há retratos sobre a mesa,
Nem promessas para guardar,
Só a ausência feita presença,
E um vazio que insiste em ficar.

 

Já não espero por vozes na porta,
Nem por um nome a me chamar,
Sou feito noite sem aurora,
Um céu cansado de esperar.

 

Não preciso que me ame,
Repito como quem quer crer,
Mas no fundo, em algum lugar,
A solidão também sabe doer.