Eric

A ovelha e o lobo que nunca fui

No alto do pasto, havia uma horda ovina
Coesa em indissolúvel união
Em pé de igualdade, única multidão
Desejava me juntar a uma dessas ovelhas

Só que eu era um porco-espinho
Minha derme farpada era um presente grego
Vindo de nascença; puro era meu interior
Mas tétrico e aterrorizador era meu exterior

Sob a força do indesejado destino
Meu ignivo coração queria aconchego
Desejava lealdade, clamava presença
Que mal há em guardar a mochila dos sentimentos?

À medida que eu me aproximava
A ovelha querida se afastava e corria
E a criatura amada eu repelia
Por que pelo fado nasci sentenciado?

Ouvi que éramos incompatíveis
Ouvi que o problema era meu jeito
Por que a ovelha querida me condena?
Fugindo de mim por algo que não escolhi?

A cada passo tenso da ovelha medrosa
O meu gélido coração de porco-espinho ardia
Uma chama invisível, efervescendo-se em lágrimas
Simbolizando o arquétipo do lobo sanguinário