A noite não pede licença quando o lençol vira mar.
Você sabe exatamente o tom da sua pele
quando se deita sem pressa,
deixando a luz da janela desenhar no seu quadril
a linha exata onde a minha boca quer se perder.
Não há pressa, mas há uma urgência silenciosa.
É o peso do seu corpo chamando o meu,
a respiração curta que encosta no meu pescoço
antes mesmo dos dedos se encostarem.
Quando minha mão encontra a sua cintura,
o mundo lá fora encolhe.
Sinto o ritmo quente do seu peito subindo e descendo,
a tensão boa que corre na parte interna da sua coxa
à espera do primeiro arrepio.
Você se move por cima de mim, lenta, consciente do poder que tem.
Os cabelos caem nos meus olhos,
o atrito da pele com pele acende um fogo fundo,
daqueles que fazem a cabeça girar e o ventre estremecer.
É o som baixo do seu gemido perto do meu ouvido
que me tira o juízo.
Um balanço firme, ritmado, que puxa o ar do meu peito
e faz a mente se perder em cada curva sua,
até não sobrar nada além de nós dois,
presos nesse nó de suor, calor e entrega.