Na penumbra da noite, quando o mundo se desfaz,
Da pressa cotidiana que o cansa e o refaz,
Surge a doce madrugada, serena e aveludada,
Como um porto seguro à alma cansada.
No silêncio profundo que envolve o luar,
A lua vigia, começa a brilhar,
Guardando segredos da imensa escuridão,
Iluminando mistérios do meu coração.
As estrelas no céu, pontinhos de luz,
São faróis de esperança que o infinito conduz,
E o vento, em sussurros, começa a cantar,
Poemas que as árvores sabem recitar.
A mente vagueia sem rumo, a sonhar,
Por terras distantes que ousa imaginar,
Explora universos que não têm fim,
Descobre segredos guardados em mim.
O relógio marca o tempo a passar,
Num tic-tac suave a nos embalar,
Melodia íntima, doce canção,
Que acalenta a noite e embala a razão.
Cada suspiro é troca sutil,
Entre o ser humano e o todo febril,
Uma comunhão serena, sem voz,
Entre o infinito, o silêncio e nós.
As sombras dançam nos cantos do chão,
Como quadros vivos da imaginação,
Chamando a mente a se aventurar,
Nos mistérios que a noite vem revelar.
Na madrugada, silêncio é papel,
Onde o coração escreve fiel,
Anseios guardados, segredos sem som,
Que a alma traduz em um leve tom.
Somos sentimentos a aprender,
A ouvir o universo dentro do ser,
E em cada verso que nasce, enfim,
Há um pedaço do mundo em mim.
A luz tão tênue começa a surgir,
Como um beijo leve a nos redimir,
Desperta a vida com doce calor,
Anúncio suave de um novo amor.
E assim, na quietude do tempo a fluir,
Deixemos a alma livre a sentir,
Que o silêncio nos guie além da visão,
Onde sonhos florescem na imensidão.
E ali, onde o divino vem nos tocar,
As almas se encontram a se eternizar,
Na tela da noite, pintada de paz,
A madrugada nos refaz.