Ansiedade - morada alugada, chave comprada
Louca e desvairada ansiedade
Correndo sempre contra um tempo ininterrupto e abrupto
Sentimento ineludível, focado em um momento futuro, duro e concreto.
Sempre que balanças em meu corpo e lança sua forte e quase invencível onda
Lança-me a quilômetros de distância vetorial
Um furacão disposto a arrancar raízes de um solo fértil e cimentado
Um animal voraz vindo para o castigo de sua presa.
Suas comparações não se deixam por diminuir, nem cair por terra
Seus latidos continuam por se rebelar em sua imensa escuridão e vastidão
Sua quentura há de se espalhar sob um grande vulcão adormecido, silencioso.
Ao acordar de um imenso pesadelo, algo que escondido e dormente ficou por meses, dias, horas e minutos
Até chegar à sua hora, à sua casa, aos segundos.
Sua morada fez abertura
Sua porta fez ranger as fechaduras, antes trancadas por chaves escondidas em um cofre cavado e selado
Selado por um forte consciente temeroso e medroso
Que ao ponto de adormecê-lo por completo, fez-se sua única e esperançosa solução, sua saída
Norte, sul, leste, oeste... Todas as fontes de saídas foram escolhidas a dedo, cada uma a sua margem de dúvida, mas cada com sua forte certeza de fuga
Pego meu cavalo... meu carro... e meu corpo e saio em velocidade máxima, antes que a explosão ocorra de maneira rápida e dolorosa
Antes que os estilhaços alcance morada, alguém próximo.
Dou-lhes escudo, aviso prévio, faço alarde, mostro as setas e mesmo que seja de uma maneira discreta, a previsão é certa
O cuidado não é pouco, nem banal
É fatal e local, com sua mira já visada, revisada e lançada.
Por que não te vais fazer morada em outra casa?
Pois nestes cômodos todas suas partes, estão tomadas pelo seu desgaste e por todas suas faces decoradas e lapidadas.
Autoria: GabrielMaria