Sabe o tamanho exato das próprias mãos.
Sabe o fogo que mora nelas.
Sabe que se quisesse, levantaria um império,
escreveria um livro, atravessaria um oceano a nado.
Ele tem o mapa.
Decorou cada atalho.
Conhece a própria força como quem conhece o próprio nome.
Poderia ser qualquer coisa.
E por saber disso,
não precisou ser nada.
Desistiu sem barulho.
Sem drama, sem queda.
Só fechou as portas por dentro,
apagou a luz do futuro
e ficou.
Agora ele só vive.
Toma o café morno.
Responde \"tudo bem\" no automático.
Vê os dias passarem pela janela como ônibus que ele já sabe dirigir,
mas escolheu não pegar.
Não é que ele não possa.
É que ele já não quer.
E talvez seja essa a tragédia mais silenciosa:
ter asas e aprender a gostar do chão.