se é
afiada lâmina
que retalha o apego,
se sua gélida indiferença
petrifica a afetividade,
e o desprezo repele
o bem-querer;
se sua alma é
a forja dúctil e tenaz qual aço,
inacessível às subjetividades do coração:
o que resta ao outro?
senão fugir feito pássaro engaiolado,
que sonha planar em voo livre.
no livramento, projeta-se veemente
para longe do cárcere.
o que resta ao outro?
senão, feito pássaro agora livre,
pousar em novos pomares,
onde o aromático e doce afeto
o acolhe.