Há uma solidão que só conhece
quem carrega no peito
um coração feito de excessos.
São terrivelmente sós
os que amam demais,
os que guardam palavras na garganta,
os que transformam a própria dor em poesia.
Há dias em que a alma
se torna uma casa silenciosa,
onde cada lembrança
anda descalça pelos cômodos
e faz barulho demais.
E eu, que já morri tantas vezes
sem nunca deixar de respirar,
aprendi que algumas dores
não querem cura
querem apenas tempo.
Tempo para que a ferida
deixe de ser ferida,
para que a saudade aprenda a caber no peito,
e para que a gente consiga chamar de cicatriz
aquilo que um dia
parecia impossível sobreviver.