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Theodoro Poema de Maquiné, Rio Grande do Sul

Theodoro

Poema de Maquiné, Rio Grande do Sul

Entre a serra e a neblina,
onde o verde beija o chão,
caminha uma velha história
dentro da imaginação.

Chamam-no Theodoro,
homem de sombra e memória,
que atravessa as madrugadas
pelos caminhos da história.

O rio sabe seus passos,
a mata conhece sua voz,
e quando o vento assobia,
parece chamá-lo por nós.

Dizem que mora na noite,
onde a lua toca o chão,
entre araucárias antigas
e o silêncio do sertão.

Não sei se foi homem ou lenda,
se foi alma ou aparição;
sei que seu nome permanece
guardado no coração.

Quando a neblina desce
sobre os morros de Maquiné,
há quem escute ao longe
um chamado que ninguém vê.

Theodoro não desaparece,
porque a memória não tem fim;
vive na boca dos antigos,
vive na mata, vive em mim.

E se a noite ficar escura
e o vento bater no arvoredo,
não tenha pressa de partir...

Talvez seja apenas Theodoro
caminhando em segredo.

Porque há homens que morrem,
mas suas histórias não.

E há lendas que atravessam séculos
como rios atravessam montanhas.

Theodoro permanece.

Entre a névoa.

Entre as águas.

Entre as árvores.

Entre nós.

Juliana Hoffmann Liska