a pedra, em seu andar imóvel
não prefere os sapatos ao chão
mas ela se põe em carinho bruto
em modo geométrico de evitação
os mapas de maior juízo
costumam errar por capricho
só para deixar às distâncias
alguma chance de imprevisto
pra perder algo direitinho
é preciso amá-lo distraidamente
as coisas pidonhas de aconchego
costumam se esconder por aí
e pra que reclamar da chuva
se ela desce apressada e escorrida
como quem já conhece o caminho
mas finge perder pra o achar?
– esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 17/08/26 –