Mas ele não é aquela criatura vermelha com chifre, não não
Ele é você. Ou melhor, o vício que você se tornou para mim.
O jeito que me desgastei nessa situação; presa a algo sem base, indo e voltando igual um loop sem fim.
Recaídas com falsa sensação de reaproximação.
Cega, transformando acasos em esperança, tentando buscar um recomeço. Mas a que preço?
Por isso sempre me apego aos começos. Lá você não mudava, não era frio, não se distanciava. Estava presente de corpo e alma. Era meu por inteiro.
E insistindo nisso, acabei te traindo com você mesmo. Ficar ao seu lado já não era igual. Eu te via mas não te sentia. Então fechava os olhos e sorria! Sorria com a lembrança viva do que fomos um dia. De como começamos, do futuro que criamos. Mas como saber que você não viria? Criou tantos planos, pra no fim ser apenas promessas vazias. Mas apesar disso, guardo as lembranças com muito carinho no peito. Mas as vezes isso me sufoca tanto quando me aquece. Como pode, o que te conforta é a mesma coisa que te entristece? Com isso em mente, fiz um pacto com o proibido. O famoso anjo caído.
Pedi para ele ler meu coração e decifrar a minha alma. O engraçado é que só tinha uma palavra. Lar. Pedi para que eu voltasse para casa. E quando cheguei lá, fui envolvida pelo seu abraço. Acariciada pelo seu toque. Encarada pelos seus olhos. E enfim, pude descansar. Mesmo que em memórias, já que fisicamente nem perto de mim você arrisca ficar.