Gi.

Dia pós dia

Dia pós dia, sozinha na caminhada,

se eu falar que não sinto saudade, é mentira descarada.

Daquela vida, daquela fita, daquela movimentação,

hoje o silêncio faz barulho dentro do coração.

 

O dia passa, a brisa vem, depois ela vai,

conversa flui, dinheiro entra, dinheiro sai.

E eu cada vez mais enjoada deles, na moral,

mas ainda procurando alguém que fosse algo surreal.

 

Uma imensidão num corpo, um mundo num olhar,

algo que transbordasse e me fizesse abaixar

a guarda que eu levantei depois de tanto apanhar,

pra encontrar alguém que soubesse me levantar.

 

Mas será que é só solidão do dia pós dia?

Ou é falta de sentir que a vida ainda arrepia?

 

Os dias são bonitos, mesmo eu sendo autodestrutiva,

muita fumaça na mente, faltando aula, fugindo da vida.

Acordo, vejo o céu, às vezes vejo chover,

duas coisas tão simples que a gente esquece de perceber.

 

O céu limpo, a chuva caindo no telhado,

e eu correndo atrás de tudo que parece importante,

enquanto o que é vivo fica sempre de lado.

 

Dinheiro cai na conta:

“Já fiz meu corre, tá suave.”

Mas depois que passa a fumaça,

quem é que fica de verdade?

 

E o resto?

Vai pedir pra morrer ou vai escolher viver?

Vai deixar os dias passarem

ou vai tentar acontecer?

 

Porque os dias vêm, os dias vão,

e a vida não espera a gente sair da confusão.

 

No fim, não é a porra dos compromisso,

nem dinheiro, nem status, nem qualquer compromisso.

O que vale mesmo, no meio dessa loucura,

é aquilo que respira, que sente, que dura.

 

As coisas que são vivas.

O que pulsa. O que fica.

O que faz a gente lembrar

que ainda existe vida

depois de cada fita.