Quero-te como a noite quer o infinito,
Em silêncio ardente, em segredo bendito,
Teu calor em mim é chama que abraça,
Luz que me encontra, corpo que enlaça.
Teu beijo… ah, teu beijo… doce vertigem,
É porto e é perda, é fé que me exige,
Desce em meus lábios como prece calma,
E acende universos dentro da alma.
Tuas mãos, linguagem que não se traduz,
Escrevem em mim versos de luz,
Fortes e ternas, firmes, inteiras,
Como quem toca eternas fronteiras.
E eu me dissolvo no que és comigo,
Não só desejo, és mais que abrigo,
És esse encontro que o tempo não mede,
Sede que encontra a própria sede.
Se em ti me perco, é para me achar,
No ritmo manso do teu amar,
Onde não há fim, nem despedida,
Só dois infinitos chamando de vida.