Carlison

Silêncio insuportável

Quando as vozes se vão e o mundo se cala,

cai sobre mim uma sombra branda e amarga,

é o silêncio chegando, devagar e sem pressa,

como quem traz uma dor que não se apressa.

 

Ele enche cada canto, cada vão lugar,

e os pensamentos começam a vagar.

Ouço o bater do peito, lento e profundo,

como se eu fosse o último no mundo.

 

Há uma tristeza doce em seu abraço frio,

um pesar que não dói, mas deixa calafrio.

Guarda em si cada lágrima que não caiu,

cada palavra presa que o tempo consumiu.

 

Às vezes parece um peso, imenso e sem fim,

outras parece um amigo que cuida de mim.

Ele ouve o que grita dentro do meu ser,

sem julgar, sem responder, só me compreender.

 

No silêncio descubro o que sou de verdade,

sem máscaras, sem ruído, sem vaidade.

É nele que a alma se mostra inteira,

com suas cicatrizes e sua maneira.

 

E quando a noite chega e as estrelas se escondem,

ele permanece, enquanto tudo se dissolve.

Não é vazio, não é fim, não é desalento,

é o próprio coração falando, em seu próprio tempo.

 

De:Carlison.c.b