Gio Az

Eu não te odeio

Eu não te odeio, mesmo que às vezes eu precise me convencer disso.

Eu não te odeio, te mas hoje afirmo,

Te desamo.

 

Te desamei pouco a pouco até não restar mais amor, 

te desamei na ausência, cada vez que olhava ao redor e você não estava. 

Te desamei nos silêncios, que gritavam nos meus ouvidos, 

mas te desamei ainda mais a cada mentira.

 

O amor escorreu por entre meus dedos,

como líquido frágil, que não pede licença para partir, 

como você partiu, deixando somente a sensação de insuficiência e medo. 

Te desamo, por não ter sido suficiente para você ficar. 

 

Eu te desamei a cada marca roxa que deixou na minha pele, 

e a cada pedido de desculpas com lágrimas depois. 

Te desamei, sem nem mesmo querer. 

 

E de todos os ensinamentos que você deixou, 

o que sempre irei carregar, mesmo não querendo, 

é que sei mais sobre desamar do que amar. 

 

Não sei ser amada, não sei ser cuidada, não sei receber.

Sou como uma máquina quebrada que dá, 

sem aceitar nada em troca. 

 

Não reconheço seu rosto na multidão, 

não sei mais como é sua voz.  

No entanto, sua presença é como uma sombra, 

suas palavras constantemente em looping, me lembrando de nunca confiar.

 

Não sei precisar quando aconteceu, 

em que momento acordei e percebi, 

que você não era mais nada além de um fantasma,

uma lembrança que quero esquecer. 

 

Te desamei por ter me feito acreditar que o problema era eu, 

te desamo por me fazer odiar tudo em mim que me lembra a você. 

Me apego a esse desamor por ser o que restou, 

tanto de mim quanto de você, 

de nós.