Quando dizemos que certas palavras são apenas da boca para fora, talvez seja nisso
que resumimos nossa estranha maneira de acreditar que tudo aquilo que dizemos há de se cumprir.
Há um verso atrás,
eu disse que não escreveria mais sobre você. E eu, tão pobre de certeza, me encontro novamente escrevendo um verso em que você aparece.
Talvez seja essa a contradição de tudo que sentimos:
acreditamos ter certeza
enquanto a temos,
e quando ela passa,
restamos apenas nós, tentando compreender
por que dissemos
que seria definitivo.
E aqui estou,
mais uma vez, escrevendo. Então me pergunto: em quantos versos ainda encontrarei você?
Será que, por mais que eu tente escrever sobre outras coisas, haverá sempre alguma pequena forma
de você aparecer? Mesmo que por um instante,
mesmo entre palavras
que nunca foram feitas
para você,
será que ainda encontrará um jeito de permanecer
em todos os meus versos?
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