pseudohumanoexistencia

indigno

confesso que tentei
confessar meus pecados,
tenho medo,
sou rasteiro e covarde;

mas como queria,
se algum dia me for permitido
a coragem,
quero terminar a minha passada
rodeado de flores,

e que essa estrada que caminhei,
e o meu esforço para ser alguém,
enquanto removia de mim
cacos, espinhos
e passava pomada,

para cicatrizar
as feridas da minha alma
se lembre de mim
como alguém que não foi em vão.

caminhei estacionado,
enquanto estive parado
sonhei com montes claros,
belos castelos
e horizontes.

mas hoje cedo,
repito o mesmo que fiz ontem,

perdão por ter desperdiçado meu dom,
confesso com malícia
e não sou sincero.

quero justificar os meus erros,
e afirmar enquanto choro
que sou fraco,

me deleitar em prazeres
que me destroem aos poucos,

se eu pudesse estar rodeado de flores,
ainda assim seria um tolo louco?

me vi uma vez em uma visão,
estava acorrentado
amarrado dos pés ao chão,

mas era tudo uma ilusão,

uma pequena gota
colidia com a minha testa
e me torturava,

fazia frio
e eu me desesperava,

mas se eu pudesse ao menos olhar
pra quela mão
que pensava estar acorrentada,

eu veria que estive livre,
ou era isso que diziam,

mas minha visão cega,
embaçada,
por aquelas minhas lágrimas..

eu não enxergava nada,

tanto que nem sei
se tal luz um dia existiu,

sinto que algo em mim se partiu,

o espírito da verdade
escapou entre os trincos
da minha alma.