Eu duvido de mim mesma,
duvido até da minha sombra,
que me abandona no escuro
e me pega despreparada
na luz solar escaldante.
Nem sempre essa dúvida é banal;
é um fio sublime de tentativas
entre o \"será que estou certa?\"
e o \"e se der errado?\".
E é o \"se\" que me pega.
É sempre a dúvida
que me detém.
As vezes eu tenho a impressão
que a incerteza é um monstro infantil
que mora dentro da minha cabeça
e de lá, sempre me incomoda,
faz morada
e me acaba,
mas é também na incerteza das coisas
que eu tenho a constante vontade
de descobrir a verdade,
por que é isso que me faz crescer,
minha verdade me faz viver,
e não me afunda nesse universo
onde tudo é um paradoxo.