Eu tinha um vaso de flores, tão bonito que acalmava minhas dores.
Passava horas admirando sua pintura, tão delicada, tão cheia de ternura.
Eu jurava que aquele vaso era mágico, algo raro, quase fantástico.
Bastava uma rosa murcha colocar, que ele dava um jeito de a recuperar.
Mas um dia algo parecia mudar, bastava olhar para notar.
Seu brilho já não era o mesmo de antes, seus dias pareciam menos radiantes.
Perguntei se tinha algo errado, mas o vaso mantinha tudo guardado.
Negava com força, fingia sorrir, enquanto eu o via, aos poucos, partir.
Então decidi apenas esperar, como ele mesmo pediu ao falar.
Esperei dias, semanas, talvez mais.
Até que um dia a verdade chegou,
O vaso caiu diante dos meus olhos
Foi então que eu compreendi, mesmo sem querer admitir.
Algumas coisas precisam partir, para que a gente aprenda a seguir.
Ainda guardo o vaso dentro de mim, como uma história sem verdadeiro fim.
Guardo o que fomos, o que senti, e tudo aquilo que vivi.
Mas nem todo vaso de flor dura para sempre, por mais que a gente tente.
Enchem nossos dias de cor, e nos ensinam o significado do amor.
Mas, de repente, podem se quebrar, sem aviso, sem explicar.
E o que sobra depois da partida
são os cacos e a memória da vida.
Mesmo quebrado, o vaso ainda tem valor, porque foi feito de carinho e amor.
E embora eu tenha precisado dizer adeus, uma parte dele viverá para sempre nos sonhos meus.
08/06