Guilherme H

Café com Morte

Quando o soldado sai da trincheira para tomar café,

todos aqueles surtos,
toda a psicose,
toda a tortura do campo de guerra
ecoam dentro da cabeça dele.

A morte fica na cabeça dele.

Ele se pergunta:

quantos eu matei?
Quantos eu feri?

Ele se pergunta se a culpa é dele
ou de uma força maior.

O soldado procura algum sentido em si mesmo.
Procura alguma força dentro de si mesmo.

Ele se culpa pelas mortes que causou.
Ele se culpa pelas famílias que entristeceu.

Ele queria simplesmente não se culpar pelo que viu.
Queria simplesmente não lembrar do que viu.

Mas ele lembra.

Ele causou muitas mortes.

Mas quem morreu primeiro,
antes mesmo de entrar no campo de guerra,

foi ele.