Fábio Alves Leão

OSTRACISMO

Vivo no ostracismo, onde a luz já não chegou,

Cada sonho que plantei o silêncio sepultou.

As paredes são testemunhas do que restou de mim,

E a esperança vai morrendo, lenta, perto do fim.

 

A lua veste luto sobre o céu sem direção,

Enquanto a noite aperta, fria, o meu coração.

O vento leva embora o que eu tentei guardar,

Como cinzas esquecidas que ninguém quis tocar.

 

Sou um nome sem memória, uma sombra sem lugar,

Um eco que se perde sem ninguém para escutar.

O tempo ri baixinho da ferida que ficou,

E alimenta a cicatriz que o destino desenhou.

 

Mesmo assim sigo em frente, sem saber aonde chegar,

Pois quem abraça o abismo aprende a caminhar.

Se um dia a aurora vier romper a escuridão,

Talvez encontre vivo o que restou do coração.