Vivo no ostracismo, onde a luz já não chegou,
Cada sonho que plantei o silêncio sepultou.
As paredes são testemunhas do que restou de mim,
E a esperança vai morrendo, lenta, perto do fim.
A lua veste luto sobre o céu sem direção,
Enquanto a noite aperta, fria, o meu coração.
O vento leva embora o que eu tentei guardar,
Como cinzas esquecidas que ninguém quis tocar.
Sou um nome sem memória, uma sombra sem lugar,
Um eco que se perde sem ninguém para escutar.
O tempo ri baixinho da ferida que ficou,
E alimenta a cicatriz que o destino desenhou.
Mesmo assim sigo em frente, sem saber aonde chegar,
Pois quem abraça o abismo aprende a caminhar.
Se um dia a aurora vier romper a escuridão,
Talvez encontre vivo o que restou do coração.