Ricardo Maria Louro

A Varanda do Douro

No fraguedo alto onde o Douro canta e desespera
Miranda ergue a vetusta torre à luz da alvorada 
pedra a pedra tem  a alma  bem guardada
que o vento traz do rio num penhasco que não quebra.

Trouxe gente ambiciosa mas deixou uma Princesa  
Dom Dinis das arcadas da Rainha fez muralha 
mas a  fúria de Castela não tolerou a malha 
foi mitra abandonada e espada em guerra acesa.

Mas ainda poisam aves nas memórias vagas que  perduram
na voz das velhas pedras que se prendem às lareiras
e que as armas dos brasões \'inda seguram... 

E eu, aqui, de tão perto, por te ver à beira
do abismo penso se o castelo é ruína, se é ternura 
ou será a Alma de Miranda revelada e verdadeira!


Em Miranda do Douro
Agosto 2026