Para amanhã, o despertador já está programado: 5h30.
A roupa já está separada. A chave, a carteira, o celular, tudo à vista.
A cada meia hora, tudo se cumpre em obediência à senhora rotina.
Tudo corre como esperado: até o atraso do ônibus está catalogado.
Chego sem sufoco e no horário. Começa a lida.
Há pausas para o café, a ida ao banheiro, o almoço, a água.
No meio do dia, uma parada desprogramada: um olhar para o infinito, procurando onde o tempo se esconde.
Volto ao trabalho, pois não há tempo para isso. Já é tempo de coisa séria no semblante, mas sem nenhuma importância essencial.
O movimento das pessoas apressadas indica que acabou o expediente.
A volta segue o cronograma: comprar a janta, limpar a casa, arrumar a roupa de amanhã, lavar a roupa de ontem.
Antes do relógio assentir ao meu repouso, penso em quebrá-lo para que não me acorde. Sinto-me revoltado com os ponteiros.
Que bom seria se não soubesse do passar, do meu passar pelo tempo...
Que bom seria se não tivéssemos batizado os dias da semana, quanto mais os meses. Que bom seria, que bom seria...