O espelho não reflete: devora.
Mastiga a pele do mercúrio
até que um rosto sem idade
atravesse a pupila
como quem retorna
de onde o tempo não entrou.
O vidro incuba ruínas.
Cada reflexo é um fóssil
que ainda respira.
Não existe passado.
Existe o peso
daquilo que insiste
em sobreviver ao próprio fim.