Apaguei as luzes que me cobravam presença,
abandonei conversas que só faziam eco.
Estar só nunca foi abandono:
é a minha forma mais sincera de sossego.
Não me tranquei por medo do mundo,
mas para não ter que fingir o que não sinto.
Tranquei a porta do lado escuro
e aceitei encarar meus próprios demônios.
Há um conforto denso na minha sombra,
mas a paz cobra um valor alto:
minha própria memória me mata aos poucos,
revivendo em silêncio o que ficou no passado.
Nenhum vazio aqui é por falta de opção,
é a distância que escolhi guardar.
A solidão é o preço pra quem procura paz...
e eu pago em silêncio,
mesmo sabendo o quanto me custa lembrar.