julianahoffmannliska

A Alma entre a Sombra e a Luz

Há uma casa dentro de mim
onde o tempo nunca dorme,
corredores feitos de lembranças,
janelas abertas para o infinito.

Ali, minha ALMA caminha
descalça sobre os dias,
carregando antigas cicatrizes
como quem carrega estrelas apagadas.

Conheci a sombra.
Ela veio sem fazer ruído,
sentou-se à mesa do coração
e tentou chamar a escuridão de destino.

Mas nenhuma noite é eterna.

Há dentro de mim uma pequena chama,
frágil como uma vela diante do vento,
e ainda assim suficiente
para desafiar o abismo.

Minha ALMA não é feita somente de luz.
Também conhece seus fantasmas,
suas perdas, seus medos,
as portas que precisou fechar
e aquelas que ainda deseja abrir.

Já fui tempestade,
já fui silêncio,
já fui ruína depois da chuva.

Mas alguma coisa permaneceu.

Talvez seja isso que chamamos de alma:
o lugar secreto onde guardamos
aquilo que o mundo não conseguiu destruir.

E amanhã, quando o sol nascer,
talvez eu ainda carregue minhas sombras.

Mas caminharei.

Porque até uma alma cansada
pode aprender novamente
a florescer.

— Juliana Hoffmann Liska