Você será minha pupila,
no ofício de criar poemas,
Craverei em sua mente e no seu coração, frases e dizeres,
que a todos encantarão.
Prometo que todos os dias que
me restam dedicarei a ti
no árduo ofício de parir poesias,
Teu poder de criação será tamanho,
que muitos dirão: Eis ai,
a chocadeira de incontáveis versos
Esta imunda, põe os versinhos no mundo, depois os abandonam
a sua própria sorte.
Vagabunda! Gritará o vilarejo
em polvorosa,
Sim, somos vagabundos, minha cara,
Vagamos sob o sol escaldante,
com nossos escritos fedendo
a peixe, implorando que
alguém os acolhem, e os lêem ao
ar livre, nas suas casas, embaixo dos viadutos, pontes, e nas
intermináveis noites glaciais.
Veja só, minha bela, isto por si,
já seria um grande aprendizado,
Agora preste atenção,
nesta importante lição,
A inspiraçao, nem sempre
é nossa aliada,
Cuidado! Quantos deuses da literatura foram vítimas dela
Cautela!
Neste momento eu invoco
todos os poetas para que
comam e bebam do seu
farto banquete,
Caríssima, não banque a puritana
deixai a poesia lhe invadir
e tenha um deleite dantesco.
Oh! Não fujas de mim,
feito uma bacante arrependida
Farei de ti, a mais linda musa,
e precisa na arte da escrita
Olha, siga apenas este caminho,
que indico,
Não de ouvido a outros temas,
Me responde! Queres de verdade
a poesia?
Fazes grande caso dela?
Então cautela.
Já desgustaste um bom vinho?
O sabor fica na língua, ou na goela?
Assim é a poesia; as vezes,
a cândida irmã, na calada da noite;
a cortesã.
Por hoje é só, meu amor
Não se esqueça de agradecer
e pedir para santa Cora Coralina
proteger seus versos de
pezinhos descalços,
que vagam pela aldeia
famélica, de pães e livros.