Há saudades que não voltam,
apenas aprendem a permanecer.
Sentam-se à mesa comigo
e bebem do mesmo silêncio
que um dia chamámos de amor.
Choro de vela —
feito de cera quente —
escorre pelo meu rosto
como se a própria noite
tivesse aprendido a derreter.
Acendo outra chama
para iluminar o que perdemos,
mas a luz só revela
o lugar vazio
onde ainda espero por ti.
Há nomes que não se esquecem;
apenas envelhecem dentro da boca.
Há abraços que nunca terminam,
porque nunca tiveram coragem
de dizer adeus.
E eu continuo aqui,
meu coração sendo pavio,
minha alma sendo cera,
queimando lentamente
por uma saudade
que nunca mais voltará.
Talvez seja esse o castigo do amor:
não morrer quando tudo termina,
mas continuar ardendo
depois que já não existe
ninguém para nos salvar da chama.