Antonio Olivio

No dia do fim do mundo

\"Acordei naquele dia
Quando tudo já havia acontecido
Alguma coisa desesperada
Havia tocado a face do mundo
Havia desfeito toda construção material
Da humanidade
Alguma coisa em mim saiu
Como a flutuar pelo caótico
Caminho da destruição
Toda a matéria tombada
Ante uma força que fora invencível
As cidades com suas torres reluzentes
Agora em escombros
Deixavam clara a sempre tão frágil condição
Muitas almas vagavam perdidas
Sobre os seus apegos
Outras eram afastadas para uma luz espessa
Impossível de resisti-la
O fim das sombras dividia o horizonte
Com o começo da luz
Seres cheios de virtudes
Vinham encontrar os seres
Tão marcados pelas dores do aprendizado
Eu via tudo inebriado
Me perguntando: por quê?
Enquanto o desenrolar do tempo
Abria seus pergaminhos.
Criaturas gigantescas
Tocavam instrumentos
E ecoavam a mais linda de todas as canções
Todas as aventuranças
Podiam ser ouvidas
Em tom logo acima da música
Meu encantamento me paralisou por um instante
Foi quando veio uma voz
E disse altiva e amorosa:
Escreve....

 


Antonio Olivio
\"