Há dias em que me perco
sem saber exatamente onde.
Então o sol aparece pela janela,
os pássaros dizem qualquer coisa,
e, por um instante,
eu lembro que ainda estou aqui.
Volto para casa,
meus gatos me esperam,
e o mundo parece menos impossível
entre quatro paredes.
Ainda existe alguém
que mora em uma parte de mim.
Mas já não ocupa a casa inteira.
Talvez seguir em frente
não seja esquecer,
mas deixar de olhar para trás
toda vez que o coração chama.
Tenho me visto diferente.
Não mais bonita por fora,
mas de algum lugar
que o espelho nunca alcançou.
Talvez eu não fosse o erro.
Talvez fosse apenas
uma história escrita
com as estrelas erradas.
E agora,
pela primeira vez,
eu penso em reescrevê-las.
Não para encontrar alguém.
Para finalmente
me encontrar.