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O que fica quando a gente desiste

 

Por que insistimos em permanecer onde já não somos recebidos da mesma forma?Talvez existam motivos que jamais conheceremos.
Talvez certos silêncios

não tenham explicação. Mas consideração não deveria ser somente aquilo que damos. Os humanos têm essa estranha maneira de permanecer justamente onde mais
se machucam. Talvez porque nem sempre o que nos faz mal deixa de ser aquilo que amamos.
Às vezes permanecemos pelo que um dia nos fez felizes,  mesmo sabendo que já não é

como era.
E quem somos nós, senão meros mortais, tão pobres de certezas, tentando compreender as escolhas alheias, enquanto mal compreendemos as nossas? Quem somos nós para dizer onde alguém

deve permanecer,

o que deve sentir

ou quando partir,

se nós mesmos permanecemos naquilo que também nos faz sentir como tolos?Talvez seja mais fácil procurar respostas no outro do que aceitar que algumas não existem.
Talvez as inspirações

também morram assim:

não por falta de palavras, mas porque já não encontram sentido. As minhas começaram a silenciar.
Talvez seja assim que paramos de escrever sobre alguém: não porque as palavras acabaram, mas porque até insistir começa a cansar. De que servem mil versos, se é preciso sempre procurar
um lugar para ser lido?  Talvez eu ainda tenha tantos para escrever sobre você. Mas quanto tempo pode uma inspiração permanecer, quando até escrever  começa a parecer uma forma de insistir? E quando as palavras finalmente se calarem, será que terei deixado de encontrar você nos versos ou apenas aprendido a não procurar mais?

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