Na Transfiguração,
onde prefiguraste tua Ressurreição,
queria eu três tendas armar.
Quando falaste da Cruz,
te repreendi: “Isso não te suceda, Jesus!”
Como eu queria do sofrimento te livrar.
Na tua agonia no Horto das Oliveiras,
durmo para fugir da tristeza
e com uma vida mais fácil sonhar.
Na tua prisão,
corto a orelha de Malco em vão.
Como queria ver meu Mestre escapar.
Te neguei três vezes enquanto eras julgado,
mas, por aí, tudo não foi terminado:
nesse mesmo instante me fitaste
e mergulhei no mistério do teu olhar.
E mergulhei no mistério do teu olhar,
que me impulsionou a realidade da vida aceitar
e sair da ilusão, custe o que custar,
com amargas lágrimas a rolar.