Cercado nesta cidade em chamas, brandindo esta armadura sinistra como as dezenas de cadáveres dilacerados à minha volta, aos quais mutilei com tamanha paixão e graça. Meu sinistro semblante emana um frio que congela, trazendo o medo aos olhos de quem ousaria apontar sua espada a este homem vil. Ah, mas este olhar… olhar tão esvaecido à morte quanto a chacina que, há pouco, infligi a este mundo.
De forma sucinta, avanço aos poucos, enquanto sigo com esta dança macabra, separando cabeças de seus pescoços como passos em meio à neve.
Após chegar a este castelo imbuído em chamas, memórias me afligem, trazendo-me a outra era, quando esta mesma fortaleza fora um templo dourado, oriundo de um tempo de paz e esperança aos seus falsos e injustos cordeirinhos. Ainda preso nessas lembranças, recordo-me da origem da minha sina, quando fui destituído de minha doce essência e trazido à realidade vil na qual estava inserido.
Ao voltar a mim mesmo, com estes resquícios do passado, percebo um belo sorriso em meu rosto, marcando, por fim, quem havia me transformado diante do espelho.